Quem nunca sonhou em investir como os profissionais do mercado financeiro?

Saiba que é possível incorporar boa parte das práticas dos investidores profissionais em seus investimentos pessoais. Neste artigo, vou mostrar o que fazer para “agir como um profissional” daqui em diante.

Porém, antes de prosseguimos, precisamos definir o que é um “investidor profissional”. Vou apresentar três “entendimentos” diferentes do que é um investidor profissional. E é importante você conhecer esses três tipos. Assim, quando alguém falar para você sobre “investidor profissional”, você saberá, exatamente, de quê se está falando.

Para facilitar, vou chamar esses investidores de “tipo 1”, “tipo 2” e “tipo 3”

Tipo 1 – O gestor de investimentos

Tipo 2 – O investidor profissional na definição da CVM

Tipo 3 – O investidor profissional autônomo

Esses três tipos de investidor profissional têm estilos diferentes, mas podemos aprender coisas valiosas com todos eles.

Vamos lá!

Tipo 1 – O gestor de investimentos

O gestor de investimentos (ou “gestor de carteiras”) é aquela pessoa habilitada pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários – a autoridade do mercado de capitais brasileiro) a gerir investimentos de outras pessoas.

É aquele profissional que toma decisões de investimentos para seus clientes. Esses clientes podem ser cotistas de fundos de investimento ou investidores individuais. É um profissional no sentido de que “é pago para fazer isso” – seja como prestador de serviços ou como profissional assalariado.

Ser gestor de investimentos habilitado equivale a ter o “porte de armas” do mercado financeiro. Esse profissional tem a liberdade (dentro de alguns limites que já vamos ver) de criar e implementar estratégias de investimentos com o dinheiro dos outros. O gestor de investimentos representa, talvez, o lado mais “glamouroso” do mercado financeiro.

O “mandato”

Porém, a liberdade do gestor não é absoluta. O gestor precisa trabalhar subordinado a um “mandato”. O mandato determina as regras e as políticas de risco daquele patrimônio que vai ser investido. Por exemplo, um gestor de um fundo de investimentos em renda fixa não pode “da sua cabeça” investir em criptomoedas. O mandato do fundo não permite isso.

O mesmo vale para um investidor individual que contrata um serviço de gestão profissional. O investidor (“dono do dinheiro”) estabelece parâmetros para que o gestor possa trabalhar. Esses parâmetros são definidos, principalmente, levando em conta o perfil de risco daquele investidor. Um investidor conservador não que, em absoluto, que o gestor faça “loucuras” com o dinheiro.

A estratégia

Com o mandato definido, o gestor pode definir uma estratégia. A estratégia vai contemplar quais os instrumentos financeiros que serão utilizados (ações, títulos públicos etc.), qual a alocação entre os diversos instrumentos e quais os investimentos que deverão ser liquidados primeiro (vendidos ou resgatados) caso o investidor precise de dinheiro.

A execução

A execução é a compra e a venda dos ativos financeiros. Observe que é a “última etapa” de uma cadeira que começa com o mandato e com a estratégia. Num ambiente profissional, não é comum o gestor fazer o papel de executor. Em geral a execução é feita por um “operador de mesa” (ou trader profissional).

Misturar “execução” com “estratégia” raramente é um bom negócio. Por isso, em geral, são pessoas diferentes que fazem essas funções (e essa é uma das principais lições que podemos aprender).

As limitações do gestor profissional

O mundo dos investimentos profissionais (neste contexto do gestor) é BEM diferente do mundo dos investidores individuais. O que funciona “de um lado do balcão” pode não funcionar do outro.

Por exemplo: gestores de fundos trabalham com enormes quantidades de dinheiro. Grandes quantias de dinheiro geram grandes problemas por conta da “fricção” e da (falta de) liquidez dos mercados. Você não consegue fazer, com um fundo de um bilhão de reais, aquilo que um trader individual faz com sua conta pessoal de cem mil reais…
Inclusive, por conta dessas grandes diferenças na forma de trabalhar, muitos gestores profissionais de investimentos resolvem “chutar tudo para o alto” (e cuidar de suas carteiras pessoais) e “quebram a cara” ao fazer isso.

O gestor profissional também precisa, constantemente, prestar contas de suas decisões. Afinal, como dizem por aí, “quem tem cliente, tem patrão”.

Mas, apesar dessa gritante diferença entre os mundos do gestor profissional e do investidor individual, temos muito a aprender com eles.

O que podemos aprender com os gestores de investimentos?

Talvez, a maior lição que podemos aprender com os gestores profissionais é a não misturar funções (aquilo que, no jargão, se chama de “segregação de funções”).

O mandato representa a “gestão de riscos”, e está associado ao perfil do investidor e seus objetivos. A “estratégia” está associada à montagem geral da carteira de investimentos. A “execução” está associada à compra e à venda dos ativos financeiros.

Se, no contexto profissional, essas atividades não se misturam, o investidor individual precisa criar práticas e políticas pessoais para manter “cada coisa no seu canto”. Por exemplo, o investidor define uma estratégia no final de semana (com a “cabeça fria”). Aí, com os mercados abertos, ele vai executar. Fica todo “empolgadão” (ou com medo) e começa a tomar atitudes reativas que vão contra a estratégia previamente definida.

Aí é o caminho para o fracasso…

Por isso, o investidor individual precisa aprender a usar os diferentes “chapéus” (de gestor de riscos, de estrategista e de operador/trader) nos momentos adequados, sem que essas funções se misturem e se sobreponham.

Tipo 2 – O investidor profissional na definição da CVM

Este é o mais simples e rápido de explicar.

A definição de “investidor profissional”, aos olhos da CVM, é meramente financeira. Uma pessoa com patrimônio líquido superior a dez milhões de reais é considerada um “investidor profissional” (veja aqui a Instrução CVM 554, que define o investidor profissional).

A exceção é para alguns profissionais autorizados pela CVM (especificamente consultores/analistas de valores mobiliários e gestores de investimentos) que também se qualificam como “investidores profissionais”.

Neste contexto, um investidor profissional tem acesso a investimentos que não estão disponíveis para investidores comuns (por serem considerados mais arriscados). O argumento por trás disso é que pessoas com patrimônio grande (e os referidos profissionais) têm, supostamente, mais conhecimento do mercado financeiro e não precisam de tanta “proteção”.

Como a definição da CVM é uma coisa mais formal do que prática, não temos nada em especial a aprender com esses investidores. Inclusive, muitos investidores que se enquadram como “profissionais”, nada têm de profissionais. Eu mesmo conheço geste que tem mais de 10 milhões na Caderneta de Poupança…

Tipo 3 – O investidor profissional autônomo

Agora chegamos àquele que nos interessa!

Aqui, estamos falando daquele investidor que é um profissional pelo fato de ter o próprio patrimônio como fonte de renda. Não é um profissional no sentido de ser um assalariado ou prestador de serviços. E também não é um profissional por mera formalidade de nossa autoridade financeira.

Este é o sonho de muita gente: Construir um patrimônio grande o suficiente e “viver dele”. Talvez seja a mais perfeita definição de “liberdade financeira”.

Virar um “investidor profissional autônomo” não é uma coisa exatamente fácil, mas é possível!

Vamos ver algumas características dos investidores do “tipo 3” de sucesso:

Patrimônio construído previamente

Raras são as pessoas que construíram seus patrimônios APENAS investindo nos mercados financeiros. A maioria dos investidores do tipo 3 construíram “o grosso” de seu patrimônio através de uma carreira profissional ou de atividades empresariais. Ou então cuidam de um patrimônio que foi construído previamente (ou seja, foi herdado).

Quando a pessoa tem um patrimônio com um determinado volume, aí sim ela pode pensar em “rentabilizar” esse patrimônio (e viver dele).

O que nos leva ao próximo item…

Estilo de vida compatível

Existem limites para rentabilizar um patrimônio consistentemente e sem se expor a altos riscos. Se você acha que vai fazer 5% ao mês regularmente, lamento informar, mas você vai cair do cavalo…

Investidores “tipo 3” de sucesso têm expectativas realistas de retorno sobre o patrimônio. E ajustam seus estilos de vida para a realidade desses retornos.

É difícil encontrar um investidor “tipo 3” de sucesso que seja esbanjador…

Ter estilo/metodologia adaptado ao perfil

Os investidores “tipo 3” de sucesso costumam seguir uma certa linha. Seja investir em fundos, carteiras de ações para dividendos, operações de curto prazo…

Enfim, existem muitas formas de se investir. Nenhuma delas é perfeita e ninguém tem domínio absoluto sobre muitas delas ao mesmo tempo. O investidor de sucesso escolhe o estilo que mais se adapta à sua personalidade e fica “fera” nele.

Cuidar dos investimentos como se fosse um negócio

No momento em que você vive do seu patrimônio, ele passa a ser o “seu negócio”. E todo negócio de sucesso exige planejamento, estratégia e gestão de riscos. Por exemplo, o que se faz quando o desempenho da carteira fica ruim? Como se limita perdas?

E, talvez, o mais importante: Qual o valor em dinheiro que deve ficar líquido (a famosa “reserva de emergência”) para esses momentos em que a carteira de investimentos está numa “fase ruim”?

Enfim, existem várias definições de “investidor profissional”. Os leitores “típicos” deste site costumam ter maior interesse no tipo 3 (o que é compreensível). Porém, temos muito a aprender com os outros – especialmente o tipo 1.

E procure observar os investidores “tipo 3” de sucesso. Uma dica, essas pessoas raramente são encontradas nas redes sociais fazendo “propaganda” dos próprios investimentos. Então, procure bem… e aprenda com eles!

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André Massaro

Orioli
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